Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Maria não vai com as outras.

opiniões pessoais sobre tudo um pouco.

Maria não vai com as outras.

opiniões pessoais sobre tudo um pouco.

17
Mai19

Chernobyl, a mini serie.

Hélia Pereira

Este mês decidi activar a HBO Portugal numa de testar o mês gratuito. Foi em parte por Game of Thrones, no entanto enquanto esta tem sido uma temporada fraquinha, deu para ver a mais recente mini serie da HBO, Chernobyl. E quem ainda não teve a oportunidade de ver vá a correr activar o mês grátis para poder ver esta obra, ou para aproveitar e ver Big Little Lies antes de sair a próxima temporada.

 

Ainda só saíram dois episódios, no entanto posso desde já dizer que ainda não vi melhor serie este ano, e eu vejo muitas series. É bom entretenimento, mesmo que seja em alturas difícil de contemplar os horrores de um acidente que foi real, mas por isso educativo. Como toda a gente já tinha ouvido falar do incidente, não tinha a real noção do que se passou porque nunca me tinha despertado muita curiosidade em querer saber, apesar da minha formação em química e física ser suficiente para compreender como funciona um reactor nuclear.

 

É também sublime visualizar as personagens a contemplar a sua própria mortalidade, com as consequências do acidente e exposição a radiação e mesmo assim ter discernimento de continuar a trabalhar. A lidar com o dilema moral de mandar algumas pessoas para uma morte precoce sobe os efeitos da radiação, para evitar que metade da europa sofra com as consequências do acidente.

 

Fica o trailer:

 

 

15
Mai19

Por favor, não alimentem os influencers.

Hélia Pereira

O título desde post é inspirado na expressão “please do not feed the models”. Se bem que a meu ver a interpretação desse título deve ser a letra, ao contrário da dessa expressão. Actualmente vivemos bombardeados de figuras, aka influencers, que existem meramente para nós vender coisas. Especialmente e nós, mulheres. E é fácil perceber o porque de ser a nós mulheres, porque somos invariavelmente mais susceptíveis, com toda a pressão social para corresponder a uma certa expectativa de imagem. E é cada vez mais um flagelo a meu ver, especialmente no que toca a questão da dermocosmética e alimentação. Mas este post para já não é sobre a alimentação, mas sim sobre a dermocosmética.

 

Ainda me lembro de ler blogs de moda na minha adolescência. Na altura eram essencialmente estrangeiros e ainda não estavam monetizados como estão hoje os posts do instragram. Seguia atentamente na altura algumas bloguers que usavam marcas de farmácia e de supermercado e a opinião delas era sincera, falavam do bom e do mau e do porque de usar produto x ou y, sem nenhum disclamer de #ad ou “cedido gentilmente pela marca”. Hoje em dia é difícil acreditar na opinião de alguém quando são convidadas a testar e a dar a sua opinião sobre um produto, ou tem o belo do hashtag de ad, ou a expressão de ou “cedido gentilmente pela marca”. Porque o único motivo de terem a oportunidade de testar um produto e dar a sua opinião sobre o mesmo é o facto de haver uma audiência que provavelmente vai se sentir directa ou indirectamente coagida a comprar esse mesmo produto. E já nem vou falar daqueles casos flagrantes em que nem seque usam o produto mas apenas o publicitam.

 

E o que me preocupa mais e que há pessoas que caem nessas falacias, normalmente acabam sempre por ser as pessoas mais fragilizadas, normalmente mulheres com baixa auto-estima. As mulheres tendem a estar em contacto com mais químicos do que os homens em geral, pela preocupação desmesurada com a aparenciae isso não é de todo benéfico para a saúde. Muito menos a questão das embalagens, mas já nem vou por ai. Incentivar o consumismo desmesurado é prejudicial em todas as formas. E a realidade é que não há nada que resulte a cem por cento contra o envelhecimento, não há creme anti-rugas que nos valha. E a saúde da pele está essencialmente relacionada com a alimentação, consumo de água de forma suficiente, sono, hábitos de exercício e ritmo de vida essencialmente.

 

Há dias li um artigo muito interessante na Vice, intitulado de The Rise of the Minimalist Skincare Routine. Essencialmente fala de pessoas que usavam demasiados produtos para o rosto e como isso trazia mais irritação para a pele do que benefícios e como após uma consulta no dermatologista passaram a usar menos. Revi-me muito nesse post porque eu já o fazia desde sempre, mas usando o velho ditado da minha mãe de “tudo o que é demais é erro”. A realidade é que uso esse ditado para muitas das coisas do meu dia-a-dia e assenta que nem uma luva. Uso produtos para a pele, não vou mentir. No entanto não compro cremes de quarenta ou mais euros publicitados por influencers. Sim porque as influencers não são mais nada senão outra forma de publicidade.

 

De manha e a noite não perco mais do que cinco minutos no espelho. E parte desse tempo é a escovar o cabelo ou lavar os dentes ou então a perder um tempo a apreciar-me ao espelho, porque faz bem a alma olhar a nos mesmo e pensar “coisa linda”. Uso produtos de farmácia, de supermercado e de marca branca. No rosto ponho pouca coisa e tiro ainda menos, dado que não uso maquiagem, e a minha pele nunca esteve melhor. Já começam a aparecer as rugas de expressão em algumas zonas mas faz parte da vida. E eu abraço-as, assim como a sardas, a celulite e estrias.

 

Acredito que nós, mulheres não devemos seguir o que sociedade nós impõe e perder tanto tempo ao espelho, quando pudemos usar esse tempo para coisas mais construtivas. Os homens não o fazem e por norma são muito menos miseráveis que nós e com melhor auto estima. O amor-próprio não se compra nas farmácias e perfumarias. Aí apenas se alimenta as influencers.

09
Mai19

A Biblioteca da Maria.

Hélia Pereira

Decidi inaugurar a Biblioteca da Maria aqui no Blog. Porque sendo algo bastante importante para mim, ainda não escrevi nada sobre livros. Em parte porque a minha literatura ultimamente tem sido essencialmente dedicada a tese de mestrado. E embora o tema dos livros e da tese sejam interessantes, ler livros por trabalho não é a mesma coisa de ler livros por prazer.

 

Nos últimos tempos tenho comprado menos livros e lido menos. Quando a meados de 2017 decidi que ia fazer o mestrado sabia que algumas coisas iam ficar de lado um pouco e as leituras foi uma delas. Não é que eu não precise de livros como preciso de comida, mas consumo mais moderadamente. Por isso tento fazer boas compras no que toca as leituras. E no dia 23 de Abril decidi aproveitar a mare de descontos que se abateu pelas lojas de livros para comprar dois de não ficção, que imediatamente comecei a ler.

 

E eu tenho o hábito de ler livros tanto em português como em inglês. No entanto com autores estrangeiros tendo a comprar a versão em inglês por dois motivos: preço, porque infelizmente a carteira não é muito abastarda; e porque muitos dos livros que eu tenho interesse não chegam a ter tradução (nomeadamente muita da ficção cientifica que li e leio) e quando chegam o preços quase que duplica em relação ao valor do livro em inglês.

 

Bem os títulos a seguir vão fazer parecer de mim uma nerd, mas não tenham duvidas que sou, com orgulho. Ultimamente tenho lido muita não ficção, mas sempre a li, gosto de intercalar com os romances, fantasia e a muita ficção científica que tenho lido. Além de que a minha formação em bioquímica me tornou curiosa e tenho tendência para ler temas relacionados com saúde e nutrição.

 

 

The Story of the Human Body, por Daniel E. Lieberman.

 

the-story-of-the-human-body-2.jpg

 

Posso dizer que ao final de poucas páginas estava rendida. Ainda estou longe de terminar o livro, no entanto encontra-se em vias de ficar completamente cheio de post-its. A clareza e simplicidade como o tema da evolução é exposta é quase bruta, dado que não se prende a sentimentalismos. Deixo aqui uma frase que me deu que pensar o resto da semana:“(…) no organism is primarily adapted to be healthy, long lived, happy, or to achieve many other goals for which people strive. As a reminder, adaptations are features shaped by natural selection that promote relative reproductive success (fitness).”

 

Burnout: The Secret to Unlocking the Stress Cycle, por Emily Nagoski e Amelia Nagoski 

A1+-unICxaL.jpg

 

Este livro foi lançado este ano e ouvi falar dele pelo Instagram. Ainda li poucas páginas mas também já estou rendida. Especialmente porque é um livro de mulheres para mulheres e que fala de coisas que invariavelmente fazem parte da nossa experiencia. O conceito dos “Human Givers”, que deve ser bonito, feliz, calmo, generoso e atento às necessidades dos outros, que invariavelmente nos remete para a ideia da mulher. Ou pelo menos para a ideia que a sociedade têm da mulher. Ainda só li o capítulo sobre o stress e foi até agora bastante elucidativo, mesmo para uma pessoa que toda a vida lidou com ansiedade e já muito leu sobre o tema.

 

Por agora é tudo. Vou me voltar a agarrar ao Homo Ludens, do Johan Huizinga e da minha tese. Espero dar o feedback final dos mesmos, mas estes são daqueles que não parecem perder qualidade com a leitura, muito pelo contrario.

 

Boas leituras.

 

06
Mai19

Mulheres contra Mulheres.

Hélia Pereira

Se há coisa que quem me conhece sabe que eu digo com frequência é a expressão - "a mulher é um bicho terrível". Não o digo no sentido pejorativo, afinal de contas eu sou uma mulher. Mas no sentido que nós, mulheres, não somos por norma boas umas para as outras. Somos as primeiras a apontar alguma coisa mal nas outras, em vez de nos apoiarmos, na medida em que ainda somos na maior parte uma segunda categoria de ser humano. Não somos um homem branco, que continua a estar no topo da nossa cadeia alimentar.

 

E ontem dei por mim a pensar nisso porque eu por norma tenho um grande amor-próprio. Sou moça de me olhar ao espelho e apreciar o meu corpo por aquilo que é. Apesar das minhas coxas largas já me terem lixado a auto estima anteriormente, dos meus ombros largos também, da minha pele branca e com sardas também. Actualmente vejo cada vez mais o meu corpo como parte da minha identidade. O que me faz semelhante à minha mãe e três irmãs. Todas nos de ombros largos e coxas largas, mas todas nós mulheres fortes, tanto de personalidade como força física. Sou filha de agricultores e aprendi a usar o meu corpo para o trabalho duro, e muito embora quando era pequena detestasse, actualmente aprecio imenso as marcas que esse trabalho deixou no meu corpo. Tenho bastante força física, bastante mais que o meu namorado ate, e não acho que isso faça menos mulher de mim, muito pelo contrário. Embora isso não corresponda ao estereótipo de mulher.

 

No entanto ontem, num almoço do dia da mãe com a família dele tive de confrontar as minhas inseguranças. Porque as mulheres da família dele são muito mais femininas. São mulheres de coxas estreitas e ombros estreitos, ate menos peito que eu. São mais as mulheres das revistas de moda, pequenas e maquiadas e vestidas com roupas femininas e saltos altos. Eu, nas minhas calças de ganga, camisa de corte masculino, mocassins e zero maquilhagem senti-me uma espécie de aberração. Senti-me observada por elas, como quem reprova as minhas escolhas e espera mais para o irmão, tio e filho delas.

 

E disse-lhe isso a ele. Em parte por vergonha, em parte porque precisava de desabafar, para não deixar que aquele pensamento que lixasse o dia. Se bem que invariavelmente tornou-se o pensamento que dominou o meu dia. Não que as mulheres da família dele tenham feito alguma observação, em parte já se habituaram a minha diferença. Mas olharam da forma que olharam, porque nós mulheres somos formatadas dessa forma. Para nos criticar a nós, para nos criticar-mos umas as outras. Para nós sentir-mos perpetuamente miseráveis. Assim aderimos as modas, de forma a mudar quem somos. Compramos todos os produtos que nós vendem para sermos quem não somos.

 

Hoje acordei mais lucida. Voltei a olhar-me ao espelho e apreciar o meu corpo. Mentalizei-me que não faz bem nenhum continuar com esse ciclo vicioso. E que em vez disso devia amar as minhas coxas largas, os meus ombros largos e fortes, os meus braços e pernas musculadas. Porque é o corpo da minha mãe. É o corpo das minhas três irmãs. Não é um corpo de revista de moda. É um corpo real. Foi moldado por gerações da minha família, de mulheres que trabalharam no campo e que viveram naquele clima frio do norte. Todas pálidas de pele, todas fortes de ombros e coxas largas. E isso é a minha identidade. É a identidade da minha família.  É a identidade das minhas tias e primas. É a identidade das minhas avós. E das mulheres da minha família que nunca conheci. E isso é mais importante que me comprar a outras mulheres com corpos diferentes que foram moldados por situações diferentes de vida.  

 

A elação mais importante que tirei disto foi amar-me. Cuidar de mim, da minha saúde física e mental. É a minha religião actualmente. Custou a chegar a onde cheguei, já tive um ódio enorme a pele que hábito, mas isso foi noutro tempo. Essa pessoa já não existe, felizmente. E por isso posso dar-me ao luxo de ter um momento de fraqueza. Afinal de contas tenho pessoas que me amam e é tudo o que importa nesta vida. E é por isso minha obrigação amar-me a mim.

02
Mai19

A banda sonora da Maria - Ramin Djawadi.

Hélia Pereira

Eu adoro bandas sonoras. São para mim uma peça fundamental para um bom filme ou serie, e atestam em geral para a qualidade do projecto. E esta semana mais uma vez me relembrou da sua relevância, a quando da visualização do último episódio da Guerra dos Tronos.

 

Toda a internet andou em alvoroço com o episódio da Guerra dos Tronos, mas nem toda a gente prestou a devida atenção a banda sonora. Li muitos post a debater o episódio com teoria X ou Y, e poucos a falar da brilhante banda sonora. Está que já se tinha destacado noutro momento a meu ver, mais precisamente no episódio 10 da sexta serie. E neste não foi excepção. Já era fã do trabalho de Ramin Djawadi, especialmente da banda sonora de Westworld, outra serie genial da HBO. Mas depois deste episódio de Guerra dos Tronos levou-me a ir ouvir toda a banda sonora com a devida atenção.

 

Pelo que deixo aqui a faixa em questão, The Night King do compositor Ramin Djawadi.

 

Boas audições.

 

 

26
Abr19

Uma ode ao cansaço.

Hélia Pereira

O cansaço é um filho da mãe. Mas ao mesmo tempo é algo que nós trás invariavelmente para o planeta terra e revela por fim as coisas verdadeiramente importantes. Durante as ultimas semanas andei a tratar de mudanças. Mudei de casa finalmente, troquei o T1 no centro da cidade pelo T2 nos arredores e estou convicta que terá sido uma das melhores decisões que poderia ter tomado. Não tive capacidade de escrever, ou vontade ate nos últimos tempos, dado que no final do dia, depois de caixas de coisas e trabalho pelo meio, tudo o que ansiava era por cama, comida e um bocado de tempo para não ter de pensar, e contemplar o vazio da casa antiga, o caos da casa nova.

 

Finalmente esta tudo no sitio. A mobília velha, a nova, as coisas que ficaram e muitas das quais me desfiz nas mudanças. E irónico que uma pessoa apenas tem a real consciência das coisas que têm quando temos de as enfiar em caixas para as mudar de local. Pensei muito sobre sustentabilidade nestes tempos de andar com as tralhas as costas. Pensei muito sobre o que compro, sobre a forma como compro. E no final destas mudanças percebi que menos é mais. Especialmente em coisas como roupa, calçado, loiça. Coisas que por vezes compramos porque é barato, ou porque achamos que precisamos. No final de contas são pilhas de coisas que acabamos de rejeitar no final, quando nos mudamos. Senão nos mudarmos são pilhas de coisas no sótão que não servem para nada, e das quais só nos lembramos de vez em quando nas limpezas.

 

Por isso quando a coisa acalmou e dei por mim com os cheques prendas de anos ainda para gastar e fiz o oposto do que fazia, comprei menos por mais. E não é que eu fosse já uma compradora impulsiva, sempre fui muito moderada nessas coisas, sempre cresci com pouco e a pouco me habituei. Mesmo assim acumulei coisas a mais, coisas que não uso e não servem para qualquer função. E senti em parte vergonha, porque estava a falhar. No entanto no meio da desarrumação e do cansaço fiz paz com isso, paz comigo mesma, e prometi tentar ser melhor.

 

Nesta semana tive tempo, um pouco mais de tempo. Andei a mudar um fecho a umas calças, a apertar umas que me estavam largas, mudei os botões a um casaco que não usava muito por não gostar dos botões. Coisas que estavam a um canto, sem função, que agora têm uma nova vida. Gostava de rematar este parágrafo de uma forma mais bonita mas ainda estou um pouco cansada. A minha criatividade parece ter-se esgotado estas semanas de mudanças. Acredito que vá voltar. Até lá vou reutilizar, reduzir e reciclar.

05
Abr19

Fiz trinta, e depois?

Hélia Pereira

Fiz trinta faz umas semanas. E ao contrário do que antecipava, não foi o fim do mundo. Fez-me bem mais confusão fazer vinte e nove o ano passado. Passei este último ano a pensar em todas as coisas que eu achava que deveris ter feito aos trinta e não tenho. Todas as metas que achava que tinha de atingir, não sei porque ou para quem. A questão é que a vida não é uma corrida, ninguém vive de metas, embora em parte as estabelecemos como motivação. Se ninguém tiver objectivos qual é o sentido de ir trabalhar, estudar, namorar, viver.

 

Não fiz nada de especial nos meus anos. Era dia de semana. O comum do mortal tem um dia bem genérico a uma segunda-feira. Eu tive também, se exceptuar as mensagens e chamadas de amigos e familiares. De resto não fiz festa, não comi bolo, não apaguei velas. Em vez disso aproveite o facto de ter tirado o dia para tratar de aborrecimentos. Vou mudar de casa este mês e por isso aproveitei para tratar de burocracias de contadores para a casa nova. Foi por isso um dia produtivo. Apenas perdi cinco minutos para comprar um novo protector solar de rosto dado o meu actual estar a acabar, e dei por mim de forma inconsciente a escolher um diferente do habitual. Em vez de FPS 50+, FPS 50+ anti-rugas. Ri-me sozinha a olhar para embalagem, o meu subconsciente a pregar-me uma partida.

 

Sei que fiz anos e não cumpri nenhumas metas para este aniversário. Eu não estou a correr contra ninguém, apenas corro contra a minha própria mortalidade, como qualquer outra pessoa. E somos bem insignificantes no universo das coisas. E tenho amigos, família, dois gatos e um companheiro, saúde e energia quanto basta, logo não estou assim tão mal. Há pessoas com vidas bem mais complicadas. Porque raio tinha eu tantas reticências quanto aos meus trinta? Tudo na mesma, apenas mais FPS 50+ anti-rugas.

02
Abr19

A banda sonora da Maria – Tame Impala.

Hélia Pereira

Tame Impala é muito amor. E como tantos outros fás de Tame Impala, conheci-os  por altura do álbum Lonerism, de 2012. Mas foi depois de ouvir o primeiro álbum, Innerspeaker, que passei a adorar. E a paixão estabeleceu-se naquele concerto do Super Bock Super Rock de 2014,  a primeira vez que fui a um festival de verão. Ainda me recordo da energia de ouvir uma multidão a cantar a Elephant aos pulos. E por isso esperava ansiosamente o sucessor de Currents de 2015. E embora ainda não se saiba muito do novo álbum já há duas musicas novas para ouvir a primeira Patience, e a mais recente ao vivo no SNL, Borderline, que deixo aqui.

 

Boas audições.

 

 

31
Mar19

Um andar esquisito.

Hélia Pereira

Já alguém fez um comentário sobre a forma como andam? Bem a mim volta e meia acontece-me. Normalmente sempre da mesma forma, “Tens uma forma de andar esquisita”. Bem que eu saiba não existe uma métrica para avaliar a forma de andar. Logo o “andar esquisita” remete sempre para o diferente. As pessoas têm sempre uma opinião sobre o que é diferente. E por isso dei por mim a reflectir nisso. O que é que a minha forma de andar tem de diferente para ser reparado. Afinal de contas a meu ver andar deveria apenas ser uma forma de ir do ponto A ao ponto B e não um motivo de reflecção. Mas já que o é para os outros assim será agora para mim.

 

Um amigo elaborou um pouco mais sobre o que o meu andar tem de diferente. Andas com um ar determinado. Pois se eu determino que vou andar é para algum fim, logo o seu determinismo. Ninguém anda só por andar. Mas sei que é mais que isso. Sei que quando era mais nova andava muito de cabeça para baixo. Cresci muito depressa quando era criança, com treze anos já tinha a altura que agora tenho, um metro e setenta. Fazia-me em parte confusão e por isso sei que me encolhia. Fazia-me confusão porque durante muito tempo era a pessoa mais alta da minha turma. Mais alta que os rapazes inclusive. Por isso baixava a cabeça e encolhia os ombros. Nessa altura ninguém reparava na forma como andava. Talvez porque esperam que as mulheres sejam sempre pequenas, encolhidas. No entanto tomei consciência disso um dia e decidi tentar começar a olhar para a frente. Afinal de conta se tenho a altura que tenho não fazia sentido tentar ser mais pequena. Fazia sentido ser eu, com a minha altura, com os meus ombros largos, caminhar com os meus ombros direitos, cabeça direita, para a frente. E a partir daí passou a fazer confusão a muita gente. Passou a ser-me chamado a atenção no trabalho, na escola, em conversas com familiares e amigos.

 

Bem, depois disto dei por mim a pensar, será que se eu continuasse a andar encolhida, com a cabeça para baixo, me chamariam a atenção para a minha forma de andar? Ou apenas achariam normal. Talvez achassem normal, na medida em que as mulheres acabam sempre a ter de se encolher de uma forma ou de outra, dado vivermos ainda numa sociedade extremamente machista. Mas pensando nisso mais me dá a vontade de andar com a cabeça direita. Para a frente, como sempre é o caminho. E mesmo que faça confusão as pessoas não acho que deva mudar nada. O amor-próprio é uma coisa muito bonita e deve ser estimado.

21
Mar19

Sobre errar.

Hélia Pereira

Tenho uma tendência a me deixar consumir pelos meus erros, como se fossem irreversíveis. Mas acho que é um produto da cultura em que cresci. Ninguém incentiva ao erro, embora o erro seja muitas vezes o primeiro passo para aprendizagem.

 

Eu cresci sendo perfeccionista. Embora nos momentos em que me sinto mais consciente saiba que errar é natural, humano e saudável, no momento em que erro sinto-me miserável ao ponto de entrar em pânico as vezes. Hoje aconteceu-me duas vezes e ainda não recuperei. Ando a tirar a carta de condução e a levar muito a serio todos os erros que cometo. Embora o instrutor me tente relaxar e tentar abstrair disso, eu chego a casa a híper analisar todos os erros como se fossem o fim do mundo. E sei que não é saudável mas não sei como não o fazer. Como relativizar o erro quando se é perfeccionista?

 

Acredito que seja em parte uma questão de aceitação. No entanto com o passar dos anos e o aumento da maturidade em tantos outros campos da minha vida, esse aspecto parece que tem vido a piorar. E não sei exactamente como lidar com isso. Talvez expressar ajude, dado que coloco aqui a minha vergonha de errar em palavras. Amanha vou tentar não levar isto tão a serio, hoje já é tarde demais para isso.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D