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Maria não vai com as outras.

opiniões pessoais sobre tudo um pouco.

Maria não vai com as outras.

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12
Set19

O proverbial nó no cérebro.

Patrícia Pereira

Há algo de divinamente irónico em mim. A minha capacidade cega de acreditar nas minhas capacidades, que me manteve relativamente sã ao longo de alturas muito mais da minha vida. E também a minha capacidade divina para me auto-sabotar. A esta altura do campeonato, isto é, nos meus trinta anos de idade, acho que deveria já ter arranjado forma de equilibrar os dois, de forma a dar prioridade ao primeiro, e renegar o segundo para alturas em que deixaria o cansaço levar a melhor. Infelizmente não. E as vezes culpo coisas sem culpa, apenas para me justificar a mim mesma o porque de a segunda capacidade parecer levar a melhor, na maior parte das vezes.

 

Claro que a resposta anda em parte no facto de eu ter uma curiosidade mórbida por tudo, e num mundo repleto de informação é tão fácil ter acesso a tanta coisa, que o meu cérebro anda há anos num estado de perpétuo multitasking. E é para mim quase impossível concentrar-me só numa tarefa por mais de dez-quinze minutos sem dispersar. (E sim, é possível ter um trabalho em que se fala constantemente com outras pessoas e manter um discurso coerente enquanto se canta mentalmente uma música, ao mesmo tempo que se pensa num artigo que se leu sobre um novo projecto da NASA para colocar mulheres na Lua. Eu sei porque há anos que o faço.)

 

É no entanto difícil escrever uma tese ao mesmo tempo que se tem o cérebro noutra dimensão. E com isto me despeço e volto a tentar agarrar-me a minha tese. Mas sem chegar a nenhuma conclusão decente sobre o raciocínio acima descrito, se é que lhe podemos chamar raciocínio . Claro que aqui lembro-me de uma frase bonita que o meu irmão usa muito quando entramos em conversas mais profundas. Quem pensa demais não é feliz. Talvez seja esse o meu problema, perco demasiado tempo na auto-congeminação. Que por consequência acaba por se manifestar em problemas reais, porque lhes dediquei tempo a mais.

12
Ago19

O flagelo das t-shits de mulher.

Patrícia Pereira

Há dias discutia com uma amiga que trabalha numa cadeia de roupa daquelas multinacionais, o flagelo que afecta as camisolas de mulher. Ela também aborrecida de ver na loja onde trabalha t-shirts estampados de Disney cheias de dourado e prateado na secção de mulher. Nessa mesma secção as habituais camisolas com borboletas, glitter e lantejoulas. Quando a secção de homem da mesma loja tinha uma colecção de camisolas de referências a filmes, que ambas adorávamos. Acabamos a discutir qual o melhor tamanho de homem para comprar sendo uma mulher, tento em conta coisas como ancas e peito e como ficam em diferentes camisolas de cortes masculinos.

A realidade é que nestes saldos voltei a comprar camisolas da secção de homem. Está a tornar-se um ritual. Não só porque não me revejo nas cores e padrões das camisolas de mulher. Como é difícil comprar uma camisola branca lisa que não seja semi transparente na secção de mulher e fácil comprar na de homem. Claro que poderão dizer que isso advém dos meus gostos. No entanto sei que não sou a única nesta revolta. E o que me incomoda mais é que se tradicionalmente as mulheres são as que gastam mais dinheiro em roupa, porque raio as comuns lojas de centro comercial não têm mais opções de camisolas simples, mesmo que tenham todas as outras de glitter, lantejoulas ou borboletas. Porque não há referências a cinema, arte e musica também nas nossas t-shirts, quando nas de homem são aos pontapés. Acredito que as mulheres consomem tanta ou mais cultura que os homens. Porque isso não se reflecte na nossa roupa?

Claro que a resposta pode ser encontrada em outras lojas de roupa, mais dentro do conceito de slow fashion, no entanto o comum do mortal não tem orçamento para tal. E eu para já tenho outras prioridades para o meu orçamento de que queimar um dinheirão numa peça de roupa. Mesmo comprando cada vez menos, como tem sido no ultimos anos, umas cinco peças por ano no maximo. Logo para já enquanto o panorama não mudar, restam me sempre as t-shits de homem.

27
Jul19

Pose, a serie – uma educação.

Patrícia Pereira

Tento educar-me sobre coisas que não conheço, realidades diferentes da minha. É um dos motivos pelos quais gosto de ver documentários, mas também series e filmes. E a serie Pose foi uma educação para mim. Sendo eu um cliché branco e hétero, a experiencia de uma mulher negra e trans num país tão racista como os EUA numa altura da crise da SIDA, é algo difícil de conseguir imaginar. Mas com a serie Pose não é preciso imaginar. Embora as personagens sejam ficção são um reflexo de um grupo de pessoas que de facto existiu, que viveu de uma forma marginalizada e que arranjou forma de celebrar a sua identidade e adquirir uma nova família, quando a própria os rejeitou.

 

Numa altura que há tantas series sobre o mesmo Pose distingue-se por isso. Fala de algo que não é mainstream, de pessoas cujos historiais não são contadas porque são minorias que sempre viveram à margem. Mas o brilhante é como a história toca em tantas coisas que são comuns a todos os seres humanos, independentemente da cor, género ou orientação sexual. Chorei e ri a ver esta serie. E acho que é daquelas que muita gente não está a ver, dado que o tema a primeira vista não cativa muita gente. Mas já anda pela Netflix. Fica aqui o trailer.

 

 

 

24
Jul19

Vicissitudes de trabalhar num call center.

Patrícia Pereira

Gostava de poder conseguir exprimir toda a minha frustração das últimas semanas em poucas palavras mas não consigo. Nem sequer vou tentar. Dei por mim a tentar analisar todas as más decisões da minha vida que me levaram a chegar a este trabalho com o qual me sustento e que no espaço de um mês passou de tolerável, para algo que me dá crises de ansiedade. E faço-o porque sinto-me presa num contrato de trabalho efectivo, numa altura da minha vida em que não estava sequer nos meus planos arranjar outro trabalho temporário: não só porque quero tentar arranjar algo mais motivador e dentro da minha área ao concluir o mestrado; também porque me aguentei a trabalhar num call center ate agora pensei que me tinha tornado já imune.

 

Ninguém vai parar a um call center em virtude de vocação. É uma questão de comodismo laboral, um trabalho com horários flexíveis que se adaptam a faculdade e outros part-times. É uma realidade que muitos dos meus colegas se revêm. Foi o meu caso, e dado que no início fazia algo diferente e minimamente interessante, dava apoio técnico, mesmo com os seus altos e baixos, deixei-me ficar. Na altura estava a concluir a licenciatura e faltavam duas cadeiras e foi uma questão querer adquirir independência financeira e compensar o atraso do final de curso aos meus pais. Quando conclui o curso e nada apareceu na área deram a possibilidade de fazer full time e lá me encostei. Os anos passaram e o contrato deixou de ser tão temporário. Quando decidi voltar a estudar deixaram-me voltar a part-time. Entretanto a empresa para a qual fazia suporte técnico rumou a outro cal center, há coisa de dois meses. Eu, juntamente com os meus colegas fui absorvida para uma campanha de telemarketing. E basicamente aí começou o meu martírio, o martírio do universo das vendas. Nem me quero alongar muito no porque, dado que é uma realidade difícil de explicar para quem está de fora e porque nada construtivo sairia disso.

 

O fruto da minha miséria tem sido gerir as minhas emoções no trabalho que estou a detestar fazer. Isso é gerir o facto de arranjar outro part-time agora que me desse as mesmas condições de trabalho seria impossível, especialmente assim de um dia para o outro. E o faco de estar a lidar com o stress da minha tese se ter arrastado para Setembro e sinto que isso deixou a minha vida no limbo. Sei que analisar tudo isto e tentar fazer sentido é provocar uma dor de cabeça em vão. No entanto é algo que me tem tirado o sono. Daí o desabafo. Acredito que não seja a única pessoa com trabalho que me deita abaixo. Acredito em dias melhores, porque eu já os tive, e porque ainda acredito que valha a pena lutar por eles.

 

Logo vou tentar manter a sanidade até Setembro. Depois logo se vê.

19
Jun19

Vitamania, o documentário.

Patrícia Pereira

Quando foi a ultima vez que viram um documentário? Bem eu tento consumir um uma vez por semana, porque sinto necessidade. O meu cérebro é tão esfomeado como eu e não fica satisfeito só com outro tipo de entretenimento como series. A realidade é que a Netflix até tem uma boa parafernália de documentários, e tenho visto muitos lá, mas vi o trailer do Vitamania e fiquei com curiosidade.

 

Disclaimer antes de mais, eu tenho uma tendência de ver documentários voltados para a saúde e educação porque são coisas sobre as quais tenho uma curiosidade mórbida. E este documentário é educativo, na medida que elucida a idealização das vitaminas e os perigos que isso acarreta, derivados a falta de regulamentação das vitaminas. Considero-o no entanto um pouco incompleto, dado que já li o li o livro The Vitamin Complex da jornalista Catherine Price, que têm muita mais informação sobre como as vitaminas fora descobertas e a loucura comercial que isso acarretou. Mas como o livro ainda não está traduzido em português e compreendo que isso possa ser um entrave a muita gente, recomendo este documentário. Dado que sei que muitas pessoas estão mal informadas sobre suplementos multivitamínicos e isso pode causar problemas de saúde.

 

A realidade é que o sumário desde documentário e livro que referi deveria ser, a não ser que esteja para engravidar ou esteja gravida, tenha alguma deficiência comprovada por exames médicos e que não possa ser suprida com alimentação, não é recomendável tomar suplementos. Não caiam em falacias de publicidades.

 

Fica aqui o trailer, se puderem vejam, vale a pena.

 

 

 

14
Jun19

A minha experiência com jejum intermitente.

Patrícia Pereira

Há dias estava a ver na Netflix a serie Resumindo, mais precisamente o episodio intitulado: “Porque falham as dietas”. E uma coisa que a meu ver falham e referir é o jejum intermitente, que de facto pode ser uma solução fácil de implementar, que cada vez mais se fala, mas que ainda não atingiu o mainstream como outra dieta. Antes demais dizer que eu não sou nutricionista, mas tenho formação em Bioquímica, logo quando comecei a ler sobre jejum intermitente muitas das coisas que falavam faziam sentido. Como funcionam as hormonas, como o nosso cormo armazena energia, como gasta energia.

 

Sempre fui uma pessoa para os padrões da sociedade “forte” mas com Índice de Massa Corporal (ou IMC), dentro de valores saudáveis, e apesar de olhar ao espelho e não gostar das coxas em tempos, sentia-me bem, com energia e sabia que tinha um peso saudável. Também nunca tive propriamente muita barriga, apenas quando estava com prisão de ventre, logo não havendo órgãos nas coxas sabia que aí a gordura não ia afectar propriamente a minha saúde. E desde os dezoito anos que o meu peso se manteve mais ou menos estável, variando as vezes dois kg para cima, dois para baixo, mas nunca mais do que isso. Hora em meados de 2017 resolvi voltar a estudar, meti-me num mestrado e ai o meu peso mudou um pouco. No primeiro semestre andava com horários meio loucos, quatro horas de aulas por dia, cinco horas de trabalho no meu parte time, mais duas a seis horas de trabalho por dia para a faculdade, dependendo dos dias e o resto das tarefas do dia-a-dia. Andava a mil a hora. Achei que deveria tomar pequeno-almoço novamente, coisa que me desabituara uma vez que antes trabalhava a tarde e noite e por norma a primeira refeição era o almoço, porque me levantava tarde e sentia-me bem. Isso mudou, porque com aulas as nove achei que deveria voltar a tomar pequeno-almoço, porque é aquela questão tradicional na nossa alimentação. Passado pouco tempo a minha fome ficou descontrolada. Fazia cinco ou seis snacks por dia, mais o almoço e jantar e estava sempre com fome. Apenas engordei dois kg, no entanto foi a fome constante que me fez perceber que havia algo que precisava de mudar. Isso e a minha indigestão constante, que era em parte motivada pelo stresse, mas que ficou fora de controlo. E quando há dores no estomago e intestinos e fome pelo meio é muito complicado gerir.

 

Comecei a fazer jejum intermitente no início do ano passado. O meu segundo semestre do primeiro ano de mestrado ficou muito simplificado. Passei a fazer três refeições, fazer o 16:8, isto é, jejum por 16 horas e comer num intervalo de 8 horas. A minha indigestão passou. As dores de estomago e intestinos passaram. Mas o melhor foi a fome constante passou. Sei que isso é devido a ter feito uma espécie de reset ao meu metabolismo. A primeira refeição voltou a ser o almoço e a ultima um lanche. Claro que poderão dizer que isto foi uma forma de restrição de calorias, mas não foi o caso. A diferença é que em vez de fazer mini snacks passei a fazer refeições maiores em menores períodos de tempo. Actualmente a maior parte dos dias faço duas refeições, almoço e jantar.

 

Claro, que os defensores tradicionais das três refeições por dia vão questionar isto. Já tive conversas sem sentido sobre alimentação, especialmente com uma colega de trabalho que está a fazer uma dieta bem restritiva em que corta com hidratos de carbono e come mini quantidades de comida. Em conversa percebi que o peso dela já oscilou em mais de vinte kg, para cima e para baixo, e que mal deixava de fazer a dieta o peso voltava. O meu peso voltou a estabilizar, perdi já quatro kg, e como hidratos de carbono e todos os grupos da pirâmide alimentar. Mas para mim o mais importante não é o peso mais os benefícios para a saúde. Para quem lê artigos científicos recomendo ir fazer umas leituras ao NCBI e vai poder ler sobre os efeitos positivos a reduzir danos nas células e tecidos associados ao envelhecimento e sedentarismo. Senão fica aqui um vídeo bem documentado sobre os efeitos positivos do jejum intermitente.

 

Para finalizar o livro que estou a ler do Daniel E. Lieberman fala muito sobre para o que é que nós estamos adaptados. E a alimentação é um ponto muito persistente ao longo do livro, a questão é que não estamos propriamente bem adaptados para excesso de comida, daí os problemas com obesidade que há actualmente. Estamos adaptados para ter períodos de fome, daí a capacidade do nosso corpo para armazenar energias e queimar as mesmas pela gliconeogénese, em períodos de jejum. Se estivemos sempre a comer não damos tempo ao nosso corpo para entrar em gliconeogénese, a não ser que se faça exercício muito intensivo ou dietas com restrição calórica, onde invariavelmente vai haver fome constante. No jejum intermitente não há fome constante. Tive um período de quatro dias de adaptação e agora não tenho fome nas 16 horas de jejum, mesmo a trabalhar ou fazer desporto.

 

E acho que é importante perceber que pode ser o caminho certo para muitas pessoas. Não só por simplificar o dia-a-dia, por exemplo de manhã ficar mais meia hora na cama em vez de sair mais cedo para ter tempo para o pequeno-almoço. Mas porque conjugado com uma alimentação saudável e variada e um pouco de desporto é simples e não é uma dieta, é um estilo de vida.

08
Jun19

Simplesmente Fleagbag.

Patrícia Pereira

Guerra dos Tronos pode ter terminado, mas a alegria é que hoje em dia não falta series boas por ai aos pontapés. E eu, consumidora compulsiva de series tenho uma nova obsessão. É fácil saber quando gostamos mesmo muito de uma serie: quando sentimos a necessidade de voltar a ver de início imediatamente apos terminar o ultimo episodio. A segunda temporada de Fleagbag foi assim para mim. Não só pelo #hotpriest, ou pelo discurso da menopausa que nós diz muito sobre a condição que é ser mulhere. Mas porque Phoebe Waller-Bridge sabe escrever mulheres, para mulheres, de uma forma inteligente, sem negar o drama que todas nos gostamos um pouco. Amei profundamente esta serie, muito mais esta temporada que a primeira, embora a primeira também seja também muito boa.

 

Portanto fica aqui o trailer. Se tiverem oportunidade vejam, são 6 episodios de meia hora por temporada, logo é um instante. E senão se convencerem pelo trailer,  fica aqui uma mais cena linda.

 

 

 

 

 

06
Jun19

Mulher Virginal vs Gajo Transtornado.

Patrícia Pereira

Há uns tempos vi um Facebook, do filme After, que me fez comichão no cérebro. Reparei nele essencialmente pelo nome, porque não me era de todo estranho. Sendo eu uma frequentadora assídua de livrarias, já o tinha visto estampado na capa de um livro qualquer, não tendo porém a ideia do que se tratava. Fez-me confusão em parte porque me deu um deja vu de outros trailers, como o de Fifty Shades Of Grey e Twilight

 

O deja vu veio do que os três têm em comum, a imagem da heroína que é virginal, que se apaixona pelo homem misterioso. Isso faz-me imensa confusão no cérebro. Estes livros e filmes estão essencialmente feitos para apelar as mulheres, no entanto passam como ideal uma relação muito disfuncional. Nestes a mulher acaba por não ter inteiramente controlo das coisas que lhe vão acontecer, onde têm de sofrer como o caraças para acabar com o homem dos seus sonhos, que é o primeiro e único homem com o qual se envolvem fisicamente, acabando por isso por ser o homem dos seus sonhos por falta de comparação. Continua-se assim a promover uma ideia completamente absurda sobre relações, o que em parte contribui para que muitas mulheres achem que têm de estar em relações disfuncionais, porque a realidade é o que vêm retratado em todo o lado, e acham que isso é a norma.

 

Conheço demasiadas raparigas em relações disfuncionais. Já cortei relações com uma antiga amiga porque depois de o namorado a ter tratado tão mal, dela ter entrado em depressão ao ponto de estar de baixa vários meses. Eu e outras amigas temos tentado intervir para ela deixar a besta, mas ela acabou por voltar para o rapaz, e nada mudou. Ela ficou chateada comigo porque eu criticava o tempo todo o rapaz em questão, porque a fazia constantemente sofrer e era e é uma besta. Passávamos quase todo o tempo que tínhamos em conjunto a discutir a relação disfuncional dela. Acabei por isso por me afastar, dado que ela não me dava ouvidos e preferia continuar sempre na merda. Essa rapariga leu Fifty Shades Of Grey, e todos os livros dessa saga e adorava os mesmos. 

 

Falo constantemente de este e outros casos de amigas e conhecidas em relações disfuncionais, com outra amiga que têm um feedback semelhante de amigas e conhecidas em relações disfuncionais. É uma luta ingloria. Torna-se impossível fazer ver a razão nesses casos, as raparigas em questão parecem cegas e surdas, e desprovidas de capacidade de raciocinio. As vezes por ter ilusões sobre o que constitui a relação e de estar em parte programada para achar normal situações de maus tratos. Outras vezes por achar que tem alguma responsabilidade em cuidar da besta em questão, porque ele não é sempre assim. Acho que é muito importante reter de uma vez por todas que nós mulheres não temos de salvar o homem. Se eles são bestas imaturas, impulsivas e dadas a maus tratos não é nossa responsabilidade de os por no sítio. Não é suposto sermos mães ou terapeutas para os nossos parceiros a tempo inteiro. O pressuposto de uma relação é ser algo benefico para os dois, não algo em que uma parte sobre a maior parte do tempo e a outra beneficia.

 

Sei que é parte este tipo de historias acontecem pelo patriarcalismo, que esta ainda generalizado na nossa sociedade. Acho que é por isso importante haver menos representação deste estereotipo na cultura pop, a mulher virginal e o gajo transtornado, seja porque motivo for.  Nós, mulheres, merecemos melhor que isso.

17
Mai19

Chernobyl, a mini serie.

Patrícia Pereira

Este mês decidi activar a HBO Portugal numa de testar o mês gratuito. Foi em parte por Game of Thrones, no entanto enquanto esta tem sido uma temporada fraquinha, deu para ver a mais recente mini serie da HBO, Chernobyl. E quem ainda não teve a oportunidade de ver vá a correr activar o mês grátis para poder ver esta obra, ou para aproveitar e ver Big Little Lies antes de sair a próxima temporada.

 

Ainda só saíram dois episódios, no entanto posso desde já dizer que ainda não vi melhor serie este ano, e eu vejo muitas series. É bom entretenimento, mesmo que seja em alturas difícil de contemplar os horrores de um acidente que foi real, mas por isso educativo. Como toda a gente já tinha ouvido falar do incidente, não tinha a real noção do que se passou porque nunca me tinha despertado muita curiosidade em querer saber, apesar da minha formação em química e física ser suficiente para compreender como funciona um reactor nuclear.

 

É também sublime visualizar as personagens a contemplar a sua própria mortalidade, com as consequências do acidente e exposição a radiação e mesmo assim ter discernimento de continuar a trabalhar. A lidar com o dilema moral de mandar algumas pessoas para uma morte precoce sobe os efeitos da radiação, para evitar que metade da europa sofra com as consequências do acidente.

 

Fica o trailer:

 

 

15
Mai19

Por favor, não alimentem os influencers.

Patrícia Pereira

O título desde post é inspirado na expressão “please do not feed the models”. Se bem que a meu ver a interpretação desse título deve ser a letra, ao contrário da dessa expressão. Actualmente vivemos bombardeados de figuras, aka influencers, que existem meramente para nós vender coisas. Especialmente e nós, mulheres. E é fácil perceber o porque de ser a nós mulheres, porque somos invariavelmente mais susceptíveis, com toda a pressão social para corresponder a uma certa expectativa de imagem. E é cada vez mais um flagelo a meu ver, especialmente no que toca a questão da dermocosmética e alimentação. Mas este post para já não é sobre a alimentação, mas sim sobre a dermocosmética.

 

Ainda me lembro de ler blogs de moda na minha adolescência. Na altura eram essencialmente estrangeiros e ainda não estavam monetizados como estão hoje os posts do instragram. Seguia atentamente na altura algumas bloguers que usavam marcas de farmácia e de supermercado e a opinião delas era sincera, falavam do bom e do mau e do porque de usar produto x ou y, sem nenhum disclamer de #ad ou “cedido gentilmente pela marca”. Hoje em dia é difícil acreditar na opinião de alguém quando são convidadas a testar e a dar a sua opinião sobre um produto, ou tem o belo do hashtag de ad, ou a expressão de ou “cedido gentilmente pela marca”. Porque o único motivo de terem a oportunidade de testar um produto e dar a sua opinião sobre o mesmo é o facto de haver uma audiência que provavelmente vai se sentir directa ou indirectamente coagida a comprar esse mesmo produto. E já nem vou falar daqueles casos flagrantes em que nem seque usam o produto mas apenas o publicitam.

 

E o que me preocupa mais e que há pessoas que caem nessas falacias, normalmente acabam sempre por ser as pessoas mais fragilizadas, normalmente mulheres com baixa auto-estima. As mulheres tendem a estar em contacto com mais químicos do que os homens em geral, pela preocupação desmesurada com a aparencia e isso não é de todo benéfico para a saúde. Muito menos a questão das embalagens, mas já nem vou por ai. Incentivar o consumismo desmesurado é prejudicial em todas as formas. E a realidade é que não há nada que resulte a cem por cento contra o envelhecimento, não há creme anti-rugas que nos valha. E a saúde da pele está essencialmente relacionada com a alimentação, consumo de água de forma suficiente, sono, hábitos de exercício e ritmo de vida essencialmente.

 

Há dias li um artigo muito interessante na Vice, intitulado de The Rise of the Minimalist Skincare Routine. Essencialmente fala de pessoas que usavam demasiados produtos para o rosto e como isso trazia mais irritação para a pele do que benefícios e como após uma consulta no dermatologista passaram a usar menos. Revi-me muito nesse post porque eu já o fazia desde sempre, mas usando o velho ditado da minha mãe de “tudo o que é demais é erro”. A realidade é que uso esse ditado para muitas das coisas do meu dia-a-dia e assenta que nem uma luva. Uso produtos para a pele, não vou mentir. No entanto não compro cremes de quarenta ou mais euros publicitados por influencers. Sim porque as influencers não são mais nada senão outra forma de publicidade.

 

De manha e a noite não perco mais do que cinco minutos no espelho. E parte desse tempo é a escovar o cabelo ou lavar os dentes ou então a perder um tempo a apreciar-me ao espelho, porque faz bem a alma olhar a nos mesmo e pensar “coisa linda”. Uso produtos de farmácia, de supermercado e de marca branca. No rosto ponho pouca coisa e tiro ainda menos, dado que não uso maquiagem, e a minha pele nunca esteve melhor. Já começam a aparecer as rugas de expressão em algumas zonas mas faz parte da vida. E eu abraço-as, assim como a sardas, a celulite e estrias.

 

Acredito que nós, mulheres não devemos seguir o que sociedade nós impõe e perder tanto tempo ao espelho, quando pudemos usar esse tempo para coisas mais construtivas. Os homens não o fazem e por norma são muito menos miseráveis que nós e com melhor auto estima. O amor-próprio não se compra nas farmácias e perfumarias. Aí apenas se alimenta as influencers.

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