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Maria não vai com as outras.

opiniões pessoais sobre tudo um pouco.

Maria não vai com as outras.

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19
Jun19

Vitamania, o documentário.

Patrícia Pereira

Quando foi a ultima vez que viram um documentário? Bem eu tento consumir um uma vez por semana, porque sinto necessidade. O meu cérebro é tão esfomeado como eu e não fica satisfeito só com outro tipo de entretenimento como series. A realidade é que a Netflix até tem uma boa parafernália de documentários, e tenho visto muitos lá, mas vi o trailer do Vitamania e fiquei com curiosidade.

 

Disclaimer antes de mais, eu tenho uma tendência de ver documentários voltados para a saúde e educação porque são coisas sobre as quais tenho uma curiosidade mórbida. E este documentário é educativo, na medida que elucida a idealização das vitaminas e os perigos que isso acarreta, derivados a falta de regulamentação das vitaminas. Considero-o no entanto um pouco incompleto, dado que já li o li o livro The Vitamin Complex da jornalista Catherine Price, que têm muita mais informação sobre como as vitaminas fora descobertas e a loucura comercial que isso acarretou. Mas como o livro ainda não está traduzido em português e compreendo que isso possa ser um entrave a muita gente, recomendo este documentário. Dado que sei que muitas pessoas estão mal informadas sobre suplementos multivitamínicos e isso pode causar problemas de saúde.

 

A realidade é que o sumário desde documentário e livro que referi deveria ser, a não ser que esteja para engravidar ou esteja gravida, tenha alguma deficiência comprovada por exames médicos e que não possa ser suprida com alimentação, não é recomendável tomar suplementos. Não caiam em falacias de publicidades.

 

Fica aqui o trailer, se puderem vejam, vale a pena.

 

 

 

14
Jun19

A minha experiência com jejum intermitente.

Patrícia Pereira

Há dias estava a ver na Netflix a serie Resumindo, mais precisamente o episodio intitulado: “Porque falham as dietas”. E uma coisa que a meu ver falham e referir é o jejum intermitente, que de facto pode ser uma solução fácil de implementar, que cada vez mais se fala, mas que ainda não atingiu o mainstream como outra dieta. Antes demais dizer que eu não sou nutricionista, mas tenho formação em Bioquímica, logo quando comecei a ler sobre jejum intermitente muitas das coisas que falavam faziam sentido. Como funcionam as hormonas, como o nosso cormo armazena energia, como gasta energia.

 

Sempre fui uma pessoa para os padrões da sociedade “forte” mas com Índice de Massa Corporal (ou IMC), dentro de valores saudáveis, e apesar de olhar ao espelho e não gostar das coxas em tempos, sentia-me bem, com energia e sabia que tinha um peso saudável. Também nunca tive propriamente muita barriga, apenas quando estava com prisão de ventre, logo não havendo órgãos nas coxas sabia que aí a gordura não ia afectar propriamente a minha saúde. E desde os dezoito anos que o meu peso se manteve mais ou menos estável, variando as vezes dois kg para cima, dois para baixo, mas nunca mais do que isso. Hora em meados de 2017 resolvi voltar a estudar, meti-me num mestrado e ai o meu peso mudou um pouco. No primeiro semestre andava com horários meio loucos, quatro horas de aulas por dia, cinco horas de trabalho no meu parte time, mais duas a seis horas de trabalho por dia para a faculdade, dependendo dos dias e o resto das tarefas do dia-a-dia. Andava a mil a hora. Achei que deveria tomar pequeno-almoço novamente, coisa que me desabituara uma vez que antes trabalhava a tarde e noite e por norma a primeira refeição era o almoço, porque me levantava tarde e sentia-me bem. Isso mudou, porque com aulas as nove achei que deveria voltar a tomar pequeno-almoço, porque é aquela questão tradicional na nossa alimentação. Passado pouco tempo a minha fome ficou descontrolada. Fazia cinco ou seis snacks por dia, mais o almoço e jantar e estava sempre com fome. Apenas engordei dois kg, no entanto foi a fome constante que me fez perceber que havia algo que precisava de mudar. Isso e a minha indigestão constante, que era em parte motivada pelo stresse, mas que ficou fora de controlo. E quando há dores no estomago e intestinos e fome pelo meio é muito complicado gerir.

 

Comecei a fazer jejum intermitente no início do ano passado. O meu segundo semestre do primeiro ano de mestrado ficou muito simplificado. Passei a fazer três refeições, fazer o 16:8, isto é, jejum por 16 horas e comer num intervalo de 8 horas. A minha indigestão passou. As dores de estomago e intestinos passaram. Mas o melhor foi a fome constante passou. Sei que isso é devido a ter feito uma espécie de reset ao meu metabolismo. A primeira refeição voltou a ser o almoço e a ultima um lanche. Claro que poderão dizer que isto foi uma forma de restrição de calorias, mas não foi o caso. A diferença é que em vez de fazer mini snacks passei a fazer refeições maiores em menores períodos de tempo. Actualmente a maior parte dos dias faço duas refeições, almoço e jantar.

 

Claro, que os defensores tradicionais das três refeições por dia vão questionar isto. Já tive conversas sem sentido sobre alimentação, especialmente com uma colega de trabalho que está a fazer uma dieta bem restritiva em que corta com hidratos de carbono e come mini quantidades de comida. Em conversa percebi que o peso dela já oscilou em mais de vinte kg, para cima e para baixo, e que mal deixava de fazer a dieta o peso voltava. O meu peso voltou a estabilizar, perdi já quatro kg, e como hidratos de carbono e todos os grupos da pirâmide alimentar. Mas para mim o mais importante não é o peso mais os benefícios para a saúde. Para quem lê artigos científicos recomendo ir fazer umas leituras ao NCBI e vai poder ler sobre os efeitos positivos a reduzir danos nas células e tecidos associados ao envelhecimento e sedentarismo. Senão fica aqui um vídeo bem documentado sobre os efeitos positivos do jejum intermitente.

 

Para finalizar o livro que estou a ler do Daniel E. Lieberman fala muito sobre para o que é que nós estamos adaptados. E a alimentação é um ponto muito persistente ao longo do livro, a questão é que não estamos propriamente bem adaptados para excesso de comida, daí os problemas com obesidade que há actualmente. Estamos adaptados para ter períodos de fome, daí a capacidade do nosso corpo para armazenar energias e queimar as mesmas pela gliconeogénese, em períodos de jejum. Se estivemos sempre a comer não damos tempo ao nosso corpo para entrar em gliconeogénese, a não ser que se faça exercício muito intensivo ou dietas com restrição calórica, onde invariavelmente vai haver fome constante. No jejum intermitente não há fome constante. Tive um período de quatro dias de adaptação e agora não tenho fome nas 16 horas de jejum, mesmo a trabalhar ou fazer desporto.

 

E acho que é importante perceber que pode ser o caminho certo para muitas pessoas. Não só por simplificar o dia-a-dia, por exemplo de manhã ficar mais meia hora na cama em vez de sair mais cedo para ter tempo para o pequeno-almoço. Mas porque conjugado com uma alimentação saudável e variada e um pouco de desporto é simples e não é uma dieta, é um estilo de vida.

08
Jun19

Simplesmente Fleagbag.

Patrícia Pereira

Guerra dos Tronos pode ter terminado, mas a alegria é que hoje em dia não falta series boas por ai aos pontapés. E eu, consumidora compulsiva de series tenho uma nova obsessão. É fácil saber quando gostamos mesmo muito de uma serie: quando sentimos a necessidade de voltar a ver de início imediatamente apos terminar o ultimo episodio. A segunda temporada de Fleagbag foi assim para mim. Não só pelo #hotpriest, ou pelo discurso da menopausa que nós diz muito sobre a condição que é ser mulhere. Mas porque Phoebe Waller-Bridge sabe escrever mulheres, para mulheres, de uma forma inteligente, sem negar o drama que todas nos gostamos um pouco. Amei profundamente esta serie, muito mais esta temporada que a primeira, embora a primeira também seja também muito boa.

 

Portanto fica aqui o trailer. Se tiverem oportunidade vejam, são 6 episodios de meia hora por temporada, logo é um instante. E senão se convencerem pelo trailer,  fica aqui uma mais cena linda.

 

 

 

 

 

06
Jun19

Mulher Virginal vs Gajo Transtornado.

Patrícia Pereira

Há uns tempos vi um Facebook, do filme After, que me fez comichão no cérebro. Reparei nele essencialmente pelo nome, porque não me era de todo estranho. Sendo eu uma frequentadora assídua de livrarias, já o tinha visto estampado na capa de um livro qualquer, não tendo porém a ideia do que se tratava. Fez-me confusão em parte porque me deu um deja vu de outros trailers, como o de Fifty Shades Of Grey e Twilight

 

O deja vu veio do que os três têm em comum, a imagem da heroína que é virginal, que se apaixona pelo homem misterioso. Isso faz-me imensa confusão no cérebro. Estes livros e filmes estão essencialmente feitos para apelar as mulheres, no entanto passam como ideal uma relação muito disfuncional. Nestes a mulher acaba por não ter inteiramente controlo das coisas que lhe vão acontecer, onde têm de sofrer como o caraças para acabar com o homem dos seus sonhos, que é o primeiro e único homem com o qual se envolvem fisicamente, acabando por isso por ser o homem dos seus sonhos por falta de comparação. Continua-se assim a promover uma ideia completamente absurda sobre relações, o que em parte contribui para que muitas mulheres achem que têm de estar em relações disfuncionais, porque a realidade é o que vêm retratado em todo o lado, e acham que isso é a norma.

 

Conheço demasiadas raparigas em relações disfuncionais. Já cortei relações com uma antiga amiga porque depois de o namorado a ter tratado tão mal, dela ter entrado em depressão ao ponto de estar de baixa vários meses. Eu e outras amigas temos tentado intervir para ela deixar a besta, mas ela acabou por voltar para o rapaz, e nada mudou. Ela ficou chateada comigo porque eu criticava o tempo todo o rapaz em questão, porque a fazia constantemente sofrer e era e é uma besta. Passávamos quase todo o tempo que tínhamos em conjunto a discutir a relação disfuncional dela. Acabei por isso por me afastar, dado que ela não me dava ouvidos e preferia continuar sempre na merda. Essa rapariga leu Fifty Shades Of Grey, e todos os livros dessa saga e adorava os mesmos. 

 

Falo constantemente de este e outros casos de amigas e conhecidas em relações disfuncionais, com outra amiga que têm um feedback semelhante de amigas e conhecidas em relações disfuncionais. É uma luta ingloria. Torna-se impossível fazer ver a razão nesses casos, as raparigas em questão parecem cegas e surdas, e desprovidas de capacidade de raciocinio. As vezes por ter ilusões sobre o que constitui a relação e de estar em parte programada para achar normal situações de maus tratos. Outras vezes por achar que tem alguma responsabilidade em cuidar da besta em questão, porque ele não é sempre assim. Acho que é muito importante reter de uma vez por todas que nós mulheres não temos de salvar o homem. Se eles são bestas imaturas, impulsivas e dadas a maus tratos não é nossa responsabilidade de os por no sítio. Não é suposto sermos mães ou terapeutas para os nossos parceiros a tempo inteiro. O pressuposto de uma relação é ser algo benefico para os dois, não algo em que uma parte sobre a maior parte do tempo e a outra beneficia.

 

Sei que é parte este tipo de historias acontecem pelo patriarcalismo, que esta ainda generalizado na nossa sociedade. Acho que é por isso importante haver menos representação deste estereotipo na cultura pop, a mulher virginal e o gajo transtornado, seja porque motivo for.  Nós, mulheres, merecemos melhor que isso.

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