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Maria não vai com as outras.

opiniões pessoais sobre tudo um pouco.

Maria não vai com as outras.

opiniões pessoais sobre tudo um pouco.

22
Mar20

A Biblioteca da Maria.

Patrícia Pereira

Os meus hábitos de leitura até têm andado a melhorar, cortesia da falta de vontade para ver series que me têm afligido. Não tenho é relatado muito por aqui, por isso fica aqui um resumo:

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O livro do Snowden foi o primeiro que li, dado que estava na fila de espera desde que saiu. Esperei só o tempo suficiente para estar a preços mais decentes no bookdepository para comprar. E sei que depois de ter comprado o livro dele provavelmente estou no sistema informático que ele descreve em minucia no próprio livro. O que é verdadeiramente agradável nesse livro é ver a forma pessoal com que o mesmo fala sobre o que levou as decisões que tomou, com vista ao bem comum, e em deterioramento dele mesmo. É de louvar haver ainda pessoas com integridade, e deu-me muito gozo ler este livro.

Já o livro sobre o Musk foi mesmo em virtude da minha curiosidade pela SpaceX. De uma auto-intitulada space nuts, este livro ajudou a perceber donde vem a curiosidade de Musk e o que tem levado ao sucesso das suas empreitadas. Não é a melhor das literaruras, no entanto é bom entretenimento.

Por ultimo o livro do Ronan Farrow veio no seguimento dos artigos do The New York Times, os quais antecipavam o livro e deixam com curiosidade de ler. Este foi dos três o que li mais depressa, porque não o conseguia pousar. A realidade é verdadeiramente mais bizarra que a ficção, e custa crer que coisas destas acontecem no sec. XXI. Para além de contar como conseguiu que as vítimas do Weinstein contassem a sua história, a dificuldade de a publicar na NBC, como mete espiões a contrato pelo meio. Adorei verdadeiramente este livro.

Boas leituras.

 

12
Mar20

A validade dos portadores de útero.

Patrícia Pereira

 

Por favor, parem de questionar as pessoas com útero quando vão ser mães. É das merdas que mais me tira do serio. O facto de eu vir equipada com útero não é justificação para esse tipo de inquisição. O valor de uma mulher não está agregado a capacidade de engravidar.

Esse tipo de questões ainda me tira mais do serio quando vêm de mulheres. As que dizem “vais mudar de ideias”, em relação a minha vontade de não ser mãe. Que alias tenho desde a primeira menstruação. Ou usar o exemplo dos filhos e dizer “o quão realizadas se sentem por ter tido filhos.” Eu sinto-me realizada que chegue, obrigado. Tenho a minha realização académica, que me deu trabalho que chegue e me deixa orgulhosa de mim mesma. Tenho os meus problemas bem ajustados, apesar de anos passados com lutas com depressão e ansiedade. Estou bem realizada ao ponto de conseguir passar tempo de qualidade comigo mesma a desenhar, escrever, ou ouvir podcasts de forma compulsiva.

Acho que se de facto se algum dia mudar de ideias em relação a maternidade (o que não me parece), não vai ser para me sentir mais realizada. É apenas um processo biológico, o qual já nascemos com equipamento, não requer propriamente qualquer forma de exercício cognitivo. Não é uma forma de realização em geral, é apenas em muitos casos a necessidade de deixar o cunho pessoal na terra, moldando um ser humano aos nossos genes e hábitos. É em parte um exercício narcisista, em parte um exercício meramente evolutivo e da necessidade biológica de propagar a raça humana.

Sei que é daquelas questões que normalmente aflige mais as fêmeas, porque a sociedade patriarcal em que vivemos ainda cinge muito o valor de uma mulher a isso. Por isso torna-se necessário nós, fêmeas, versar o quão somos mais que a nossa capacidade de ovular e garantir a propagação da raça humana. E claro as fêmeas que se sentem realizadas com isso: bom para elas. Agora deixem as outras fêmeas em paz.

06
Mar20

Sobre a falta de curiosidade.

Patrícia Pereira

Porque metade das boas ideias surgem de conversas de café? Bem adiante. Durante muito tempo havia quem se queixava que o problema das pessoas é a falta de acesso a informação. Mas a minha constatação é mesmo que é a falta de curiosidade de tantas e tantas pessoas. Não têm vontade de explorar mais do que o seu pequeno universo. Isso gera um problema grande: a incapacidade de questionar coisas para além do seu pequeno universo. A capacidade de gerar argumentos para demonstrar a validade da sua opinião. E não tem nada a ver com sítios grandes ou sítios pequenos, não é um determinismo da localização geográfica, como muitas pessoas acham. Actualmente com a internet não há a meu ver desculpas.

De alguém que passou anos de vida a trabalhar a falar com pessoas, é das coisas que mais me assusta. É fácil encontrar essas pessoas, basta usar termos inquisitivos. Normalmente o resultado final é insultos, ou a repetição de uma frase de forma veemente, sem qualquer construção de argumento para justificar essa frase. E é algo bem normalizado, e com uma grande representatividade na população. Essas pessoas tem muitas vezes igual acesso à informação, como tantas outras, apenas escolhem não exercer esse direito. Ou muitas vezes nem sequer lhes passa pela cabeça o fazer porque vivem no seu universo pequeno, com fronteiras bem definidas. É algo que a mim me faz confusão, especialmente de alguém que cresceu num sítio pequeno, com pais pouco escolarizados, mas com uma mãe que devora documentários. Embora as fronteiras da sua vida estejam restritas a poucos km, a mente dela viaja a todos os confins do universo. E isso para mim têm mais valor que dinheiro.

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