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Maria não vai com as outras.

opiniões pessoais sobre tudo um pouco.

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13
Mai20

Cor de Rosa.

Patrícia Pereira

Há tantas coisas que ando há anos a reprimir em mim que nem sequer me apercebo delas, no entanto nestes tempos que correm dou por mim a confrontar. Como a realidade daquela que eu achava ser a minha aversão ao cor de rosa. Achava que não gostava, não sabia porque não, apenas que não. Achava que era demasiado feminino e achava que isso era errado. Que ser demasiado feminino é errado. Que há alguma coisa de errado com a cor de rosa. Que é errado homens usarem cor de rosa. Que a cor é excessiva de alguma forma.


Comprei umas calças cor de rosa. Fuchsia. Foi uma das prendas para mim mesma de anos. Mandei vir pela net por causa do corona, esperei por elas mais do que o resto das coisas que comprei. Vesti as calças, serviram bem. Aí percebi o que eu achava de errado com o cor de rosa. O preconceito que associei à cor foi o mesmo que me fez achar esse símbolo de feminino como algo negativo, como sinal de fraqueza. Como se só as cores ditas mais masculinas fossem sinal de força. Como se apenas os ideias masculinos de força fossem algo objectivamente aspiracional.


Percebi que tentei durante anos associar características minhas a características masculinas, porque me achava que apenas daí derivava o meu valor. E foi preciso umas calças cor de rosa para perceber isso. Sei que é em parte um problema cultural, o valor das coisas ditas masculinas ser a norma. É, no entanto, possível confrontar a logica do nosso pensamento enviesado pela cultura. E assim perceber que o valor não está na cor de rosa ou azul, no masculino ou feminino. A nossa espécie depende de ambos logo ambos têm valor igual. É isso que importa ressalvar mais que tudo, ensinar as próximas gerações, expurgando a ideia que o feminino não tem o mesmo valor que o masculino. Reverter a cultura patriarcal para um nível de igualdade. Para que ninguém tenha vergonha do cor de rosa.

04
Mai20

O valor da vida, pós covid-19.

Patrícia Pereira

Numa altura que termina o estado de emergência, sinto que vivi um infinito nestes últimos meses. A minha realidade é aquela de quem desempegada antes da pandemia, vivi confinada ao meu apartamento T2 desde o inico do ano. No início com uma sensação de revolta, quando a quarentena coletiva começou, já eu estava confinada ao meu espaço há alguns meses, e em estado de aceitação. No entanto não impediu a melancolia de se apoderar de mim, e os sentimentos coletivos de uma nação em luto. Em luto por um tempo pré quarentena, na qual as banalidades de um dia a dia pareciam não ter significado. E que agora na era pós covid, parecem aqueles pequenos momentos que douravam a nossa vida, ir ao café, falar com outras pessoas livremente, em espaços com outras pessoas. Serviu para perceber que de facto somos uma espécie coletiva, social, e que é das verdadeiras coisas que damos valor, mesmo que de forma as vezes inconsciente.

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Há outra coisa que quero notar, dado ter sentido a sua importancia nos últimos tempos. Esta ânsia de ser produtivo que existe na nossa sociedade é uma falacia. Não conheço ninguém que não diga que se tivesse mais tempo não faria isto ou aquilo. Eu achava que iria escrever mais, esta era a minha falacia. Escrevi menos. Não escrevi quase nada, nem no meu diário. E esta na altura de dizer que é normal. Há coisas mais importantes que continuar a ser produtivo, que é continuar mentalmente são.

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