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Maria não vai com as outras.

opiniões pessoais sobre tudo um pouco.

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21
Mar19

Sobre errar.

Patrícia Pereira

Tenho uma tendência a me deixar consumir pelos meus erros, como se fossem irreversíveis. Mas acho que é um produto da cultura em que cresci. Ninguém incentiva ao erro, embora o erro seja muitas vezes o primeiro passo para aprendizagem.

 

Eu cresci sendo perfeccionista. Embora nos momentos em que me sinto mais consciente saiba que errar é natural, humano e saudável, no momento em que erro sinto-me miserável ao ponto de entrar em pânico as vezes. Hoje aconteceu-me duas vezes e ainda não recuperei. Ando a tirar a carta de condução e a levar muito a serio todos os erros que cometo. Embora o instrutor me tente relaxar e tentar abstrair disso, eu chego a casa a híper analisar todos os erros como se fossem o fim do mundo. E sei que não é saudável mas não sei como não o fazer. Como relativizar o erro quando se é perfeccionista?

 

Acredito que seja em parte uma questão de aceitação. No entanto com o passar dos anos e o aumento da maturidade em tantos outros campos da minha vida, esse aspecto parece que tem vido a piorar. E não sei exactamente como lidar com isso. Talvez expressar ajude, dado que coloco aqui a minha vergonha de errar em palavras. Amanha vou tentar não levar isto tão a serio, hoje já é tarde demais para isso.

15
Fev19

A internet não se esquece…

Patrícia Pereira

Há dias o Facebook recordou-me que faço nove anos de vida no mesmo. No seguimento disso dei por mim a rever os meus post mais antigos e a ponderar sobre os mesmo e uma ideia surgiu. A internet não se esquece. Se antes podíamos ter vinte anos e dizer coisas palermas, e depois crescer e esquecer certas fazes menos boas, agora é impossível. Vai ser uma memória no Facebook que apenas serve para nos sentir-mos embaraçados de nós mesmos. E a realidade é que outras gerações antes das nossas tinham fases embaraçosas da vida. É normal, é natural e faz parte do crescimento. E tinha a possibilidade de crescer e esquecer de algumas coisas.

 

Actualmente vamos ser uma geração que vai viver com as fotos embaraçosas, comentários embaraçosos, fases de vida mais infantis e não vamos poder crescer das mesmas. Mesmo que vamos apagar coisas antigas embaraçosas no Facebook, há sempre os tags em fotos de amigos e menos amigos actualmente. E não sei ate que ponto isso não terá consequências negativas a longo prazo e afectar a forma como se desenvolve a nossa geração, a das redes sociais. Porque não temos direito a esquecer, dado que a internet não se esquece. Vamos ficar perpetuamente associados a ideias que já não são nossas.

 

E com tantos escândalos sobre comentários menos bons no passado, como foi o caso dos Óscares deste ano, apenas me leva a concluir que deveríamos ter direito a esquecer, a poder carregar num botão e desconectarmo-nos da pessoa que fomos, que não é a pessoa que somos agora, muito menos a pessoa que vamos ser amanhã. Mas mesmo que vamos eliminar as contas nas redes sociais, isso não elimina nada. Vai sempre haver vestigios daquilo que fomos nas redes sociais.

 

Uma das coisas que no meio disto ainda me preocupa mais é o caso das pessoas que colocam fotos dos filhos nas redes sociais. Para todos os efeitos eu era uma adulta quando aderi a rede. As crianças vão viver com um historico nas redes sociais sobre o qual não tem controlo consicente. E isso a meu ver é ainda mais preocupante que o meu embaraçoso Facebook de vinte e poucos anos.

02
Fev19

As vezes gostava de ser mais produtiva.

Patrícia Pereira

Só que há algo maravilhosamente perverso em ter coisas que fazer e adiar. Em ficar impávida e serena a não fazer nada de produtivo num dia de folga, apenas porque se quer, apenas porque se pode. E as vezes não adianta ate usar tácticas que connosco resultam para aumentar a produtividade.

 

Hoje é um daqueles dias. Fiz exercício, bebi café e estou a ouvir música clássica há horas. No entanto em vez de fazer algo de útil, como ir escrever a minha tese não. O meu cérebro já deambulou por mil e um continentes de coisas inúteis. Desde filmes e series que já revi, mas que por algum motivo o meu cérebro me diz que apetece rever um pouco mais. Ou então simplesmente fazer insta stories das posições palermas que os meus gatos fazem ao sol, pelo facto de me dar tanto gozo apreciar a companha deles. Ou todas as coisas que eu poderia fazer e não faço.

 

Sinto que é um dilema de toda a gente. Para mim é um dilema de trabalhar e estudar ao mesmo tempo. Saber que tenho mais que fazer e escolher deliberadamente não o fazer. Culpo, quando a consciência me pesa um pouco mais, o facto da gripe ainda me estar a dar dores de cabeça literais. Depois sinto que devo ser franca comigo e sei que consigo ignorar os restos da gripe se quiser. Não me apetecer trabalhar na tese e ser meu prerrogativa não o fazer dado ser uma pessoa adulta, consciente e pagadora de impostos. Tenho a liberdade poder escolher não trabalhar na minha tese quando o devia fazer, porque estou no meu dia de folga do trabalho que me paga as contas e não me apetece.

 

Claro que sinto que isso pode dizer muito de mim, mal de mim ou bem de mim, consoante a lente que cada um usar para examinar isto. Eu sinto que estou apenas cansada e não me apetece fazer nada, mas o ter energia para fazer outras coisas faz-me sentir culpada. Ter energia para dissertar sobre a minha procrastinação em vez da minha tese. No entanto todo este testamento é apenas uma ode a minha humanidade. Talvez não me deva macerar tanto com isso e deva gozar o facto de estar de folga e rever um filme ou serie e não pensar mais sobre isso.

 

Fica aqui a banda sonora da minha preguiça, porque amo profundamente as composições de  Sergei Rachmaninoff e porque podem servir para inspirar a produtividade de outros.

 

11
Jan19

Medicina desfocada.

Patrícia Pereira

Spectacles_(PSF).png

Hoje vim de uma consulta no optometrista. Sim vejo mal. Costumo dizer que não vejo tudo quanto quero, mas sei que esse é o tipo de cegueira que toda a gente tem. A minha nasceu comigo, cresceu comigo e agora come da minha carteira.

Mas desta vez não vim apenas com a factura de uns óculos novos que encomendei. Depois de uma conversa longa com a optometrista, vim com raiva. Raiva que não posso apontar o nome. Raiva que apenas posso transformar em mágoa. Porque ela disse-me que o meu problema de visão poderia não estar tão agravado se tivesse sido operada aos dois anos de idade em vez dos treze. Poderia não ser parcialmente cega de um olho como sou se tivéssemos outro sistema nacional de saúde.

Sei que os meus pais não têm culpa. Durante anos arrastaram-me para consultas duas vezes por ano no oftalmologista. Medico que me dizia que tinha de ser operada em todas as consultas. Medico que me dizia que não poderia ser para já. Os anos foram passando e nada. Os meus pais acabaram por ter de pedir favores a conhecidos para dar uma palavrinha com o médico, que finalmente me operou. Os meus pais fizeram o que toda a gente fazia. A optometrista contou-me de pessoas que tiveram de dar dinheiro ao médico por fora para poder ser operados. Aparentemente aqui é o que toda a gente faz. A alternativa é sair daqui.

Por isso o interior fica pobre. Pobre de dinheiro, pobre de vista. As pessoas que poderiam fazer alguma coisa para mudar só vêm bem ao perto, ao litoral. E ficamos nos de mãos atadas e a ver mal.

A raiva ainda não se foi. E ao ler coisas como a história do senhor Peças, o médico da INEM, ao menos posso canaliza-la para alguém. Só tenho pena é das pessoas que foram directamente afectadas com isso. Eu vejo mal, há quem tenha perdido a vida. Logo ate posso considerar que não estou assim tão mal. Mesmo assim contínuo com raiva, porque sei que tenho de viver com isto, com este conhecimento que poderia ser diferente. Assim resta-me ir mudando as lentes e esperar por dias em que se veja melhor.

 

 

17
Dez18

Aqui vamos outra vez.

Patrícia Pereira

internet-of-things-analytics.jpg

Ola internet.

As vezes penso que hoje em dia eu não existo senão estiver online. Não sou real senão tiver a minha plataforma. E o estranho é que eu já fiz isto dos blogs. Já escrevi a minha poesia em blogs, quando não me preocupava com direitos de autor e estudos a bem dizer. Quando não me preocupava em mais que usar o meu blog como forma de desabafar as minhas mágoas e fazer das tripas coração para uma audiência que não existia, de forma a justificar a minha própria mágoa. Com o tempo isso passou, para bem da minha sanidade e apaguei os múltiplos blogs que criei.

A realidade de agora é que estou farta de escrever para o confinado do meu computador. Principalmente porque por mais palavras que use para descrever o que sinto, o que a minha persona de escritora sente a realidade é que o meu computador é um buraco negro sem fim. As coisas morrem lá. Que me adianta ter todas as palavras dentro de mim senão tenho presença online para além das redes sociais pessoais.

O que me levou a querer desabafar sobre o meu eu que quer ser escutado. O meu eu que quer ter uma voz na sociedade. O meu eu que quer partilhar o meu me torna igual e diferente dos outros. O meu eu que é comum e é invulgar ao mesmo tempo, como os outros. E penso que tenho muito mais que dar para os outros do que para os confins limitados do meu computador.

Tenho mais de mil palavras dentro de mim. E sinto que é melhor dize-las para uma audiência que não exista, do que guarda-las para mim. Para bem da minha sanidade.

 

Hélia Pereira.

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