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Maria não vai com as outras.

opiniões pessoais sobre tudo um pouco.

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02
Fev19

As vezes gostava de ser mais produtiva.

Patrícia Pereira

Só que há algo maravilhosamente perverso em ter coisas que fazer e adiar. Em ficar impávida e serena a não fazer nada de produtivo num dia de folga, apenas porque se quer, apenas porque se pode. E as vezes não adianta ate usar tácticas que connosco resultam para aumentar a produtividade.

 

Hoje é um daqueles dias. Fiz exercício, bebi café e estou a ouvir música clássica há horas. No entanto em vez de fazer algo de útil, como ir escrever a minha tese não. O meu cérebro já deambulou por mil e um continentes de coisas inúteis. Desde filmes e series que já revi, mas que por algum motivo o meu cérebro me diz que apetece rever um pouco mais. Ou então simplesmente fazer insta stories das posições palermas que os meus gatos fazem ao sol, pelo facto de me dar tanto gozo apreciar a companha deles. Ou todas as coisas que eu poderia fazer e não faço.

 

Sinto que é um dilema de toda a gente. Para mim é um dilema de trabalhar e estudar ao mesmo tempo. Saber que tenho mais que fazer e escolher deliberadamente não o fazer. Culpo, quando a consciência me pesa um pouco mais, o facto da gripe ainda me estar a dar dores de cabeça literais. Depois sinto que devo ser franca comigo e sei que consigo ignorar os restos da gripe se quiser. Não me apetecer trabalhar na tese e ser meu prerrogativa não o fazer dado ser uma pessoa adulta, consciente e pagadora de impostos. Tenho a liberdade poder escolher não trabalhar na minha tese quando o devia fazer, porque estou no meu dia de folga do trabalho que me paga as contas e não me apetece.

 

Claro que sinto que isso pode dizer muito de mim, mal de mim ou bem de mim, consoante a lente que cada um usar para examinar isto. Eu sinto que estou apenas cansada e não me apetece fazer nada, mas o ter energia para fazer outras coisas faz-me sentir culpada. Ter energia para dissertar sobre a minha procrastinação em vez da minha tese. No entanto todo este testamento é apenas uma ode a minha humanidade. Talvez não me deva macerar tanto com isso e deva gozar o facto de estar de folga e rever um filme ou serie e não pensar mais sobre isso.

 

Fica aqui a banda sonora da minha preguiça, porque amo profundamente as composições de  Sergei Rachmaninoff e porque podem servir para inspirar a produtividade de outros.

 

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