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Maria não vai com as outras.

opiniões pessoais sobre tudo um pouco.

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27
Jul19

Pose, a serie – uma educação.

Patrícia Pereira

Tento educar-me sobre coisas que não conheço, realidades diferentes da minha. É um dos motivos pelos quais gosto de ver documentários, mas também series e filmes. E a serie Pose foi uma educação para mim. Sendo eu um cliché branco e hétero, a experiencia de uma mulher negra e trans num país tão racista como os EUA numa altura da crise da SIDA, é algo difícil de conseguir imaginar. Mas com a serie Pose não é preciso imaginar. Embora as personagens sejam ficção são um reflexo de um grupo de pessoas que de facto existiu, que viveu de uma forma marginalizada e que arranjou forma de celebrar a sua identidade e adquirir uma nova família, quando a própria os rejeitou.

 

Numa altura que há tantas series sobre o mesmo Pose distingue-se por isso. Fala de algo que não é mainstream, de pessoas cujos historiais não são contadas porque são minorias que sempre viveram à margem. Mas o brilhante é como a história toca em tantas coisas que são comuns a todos os seres humanos, independentemente da cor, género ou orientação sexual. Chorei e ri a ver esta serie. E acho que é daquelas que muita gente não está a ver, dado que o tema a primeira vista não cativa muita gente. Mas já anda pela Netflix. Fica aqui o trailer.

 

 

 

17
Jan19

O que está errado com “Tidying up With Marie Kondo”.

Patrícia Pereira

Ainda me sinto em modo silly season, embora o Natal e ano novo já tenham passado faz tempo. Mas o início do ano tem esse efeito em mim. Por isso dei por mim a ver o programa da Marie Kondo na Netflix, dado me parecer adequada para a época.

Em primeiro lugar fez-me sentir bem. Sim eu sou uma pessoa extremamente organizada, tenho caixas dentro de caixas com tudo organizado; forro caixas de sapatos para as transformar em caixas de arrumação; dobro meias e toda a roupa com cuidado. O que não vi foi qualquer tentativa de passar uma mensagem de consciencializar pessoas em relação a lidar objectos materiais, isto é ensinar a reparar, reutilizar. Fez-me imensa confusão ver no programa pessoas a olhar para roupa que não lhes dava alegria (“spark joy”, como diria a Marie), e colocar dentro de sacos para deitar ao lixo. E isso fez-me distanciar do conceito da Marie.

 

Fui ensinada a costurar o suficiente para fazer pequenas reparações. Na minha família peças de roupa circulam, de modo a que acabo muitas vezes com roupa em segunda mão de familiares e não me faz minimamente confusão. Algo que é para nos aborrecido e velho, pode ser novo e imaculado para outra pessoa. Não é normal para mim deitar roupa fora que pode ter uma segunda vida. Uma t-shirt velha dá para cortar e limpar o pó com ela. Lençóis velhos dão óptimos panos para limpar vidros. E há sempre a hipótese de fazer um saco e entregar a instituições de caridade da zona, ou directamente a famílias carenciadas que se possa conhecer dentro da nossa localidade. Outra coisa que não compreendo é o sentimentalismo de conservar coisas que não se usa. Quer seja de roupa, loiça, papeis. Ter coisas inúteis em casa isso faz-me confusão, coisas que possam estar a ocupar espaço que não uso é algo que me faz comichão no cérebro.

rubbish.jpg

Screen shot de um episodio.

 

Devemos ensinar não a acumular e deitar forma depois. Produzimos demasiado lixo e reciclamos pouco. Claro que somos intrinsecamente uma sociedade materialista, mas ter varias camisolas da Primark de cinco euros não traz felicidade, especialmente se ao fim de duas lavagens estão estragadas. E não vou dizer que não faço uma ou outra compra impulsiva, mas por norma namoro peças de roupa durante algum tempo para ter mesmo a certeza que quero e que vão servir uma função no meu guarda roupa.

 

Por isso os métodos da Marie fazem-me confusão, porque tudo parecia parar em sacos de lixo, salvo algumas excepções claro. Além do que acho que falta uma adenda ao programa: ver as casas das pessoas, passado algum tempo, continuando com os mesmos hábitos de compra.

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